9 de agosto de 2011

Axioma

A pureza que habita a obsessão
Dessa minha criança intima,
Que brinca exausta nesse fosso escuro...
Nesse véu de esquecimento...
Nessa tenra solidão...
Brota desse mundo que se principia, entre vozes de renda,
Entre a confusão que se acomoda na convulsão dos corpos...
Nas bocas úmidas.
Deliciosa justiça impaciente, fugidia,
Acometida nessa ânsia violenta contra conversas mornas...
Oco, em idéias repousadas...
A mão soluça e lavra,
Na opulência de Callas...
Na fertilidade protegida no ímpeto de lábios, muralha de essência...
Guardiã da fluidez, do alvoroço de borboletas...
Dos olhos em torpor, da doçura de chuvas pestilentas...
E de tardes silenciosas e sonolentas.

Pureza minha dilatada em verdade bruta,
Se desvencilha da miséria que cega os olhos abertos em tempestades de pó...
Se insinua pelas frestas da culpa que não veste os pés descalços que plantam minha terra, meu altar.
Meus olhos tateiam, quietos, minha loucura saciada, meus instantes que passeiam...
Eles enxergam o riso ruidoso dos meus músculos escondidos.

A candura da minha doutrina é a lucidez, dos subterrâneos da minha estória.

5 de setembro de 2010

Réquiem

Devo-te as palavras mais sinceras, pois minha dor é sincera ao ter que te dizer adeus.
Despedir-me é como tanger com fúria uma ferida profunda em minha carne.
Despeço-me, porque não posso transformar–te mais em dor, já que sempre foi e sempre será a imagem leve do que me é imaculado. Não permito ferir o que já sagrou.
Nenhuma palavra seria capaz de notar tua delicadeza, e meu apreço, então nesta breve despedida, só resta o agradecimento, já que estás presente em tudo que criei.
Em tudo que criei e destruí.
Obrigada ...
Porque sempre me ofertou o naufrágio da razão.
Trouxeste-me a música, agora farta o silêncio.
Digo-te adeus, desejando distraidamente um até breve.

4 de julho de 2010

O morango sempre foi um mal-entendido


Até eu provar do mais vermelho
Até eu provar da sua despedida

"The sunlight splits when entering the windows of the house.
This multiplicity exists in the cluster of grapes;
It is not in the juice made from the grapes.
The bird of vision is flying towards
You with the wings of desire."

29 de maio de 2010

Are the wonders of my world





Tenho uma ânsia violenta por existência.
Porque é violenta a velociade de tudo que é muito e diminuto em mim.

15 de novembro de 2009

Crivo


Não consigo escrever em folhas limpas.
Só consigo me escorrer em espaços pequenos...
O latifúndio me mata.
Mata meus sonhos,
Meus filhos...
Então, sou estéril.
Pois a força do meu germe foi ferida pela indiferença;
Pela miséria que se prende no limbo;
Pelo egoísmo, sístole dilatada;
Pelo egoísmo fértil, mãos diástole.
A semente que eu germinaria
É morta.
Não tem útero terra.
Tem propriedade privada.

23 de julho de 2009


Veio tênue, intragável.
Uma mão invisível, ofendeu minha presença. Minha face.
Fustigou-me lentamente:

Esbofeteou a fronte com dedos ásperos
Verteu sangue dos lábios... saibo-me.
A pele torpe, de dedos nodosos
Impeliu com violência os pequenos asquerosos.
Volveu-me ser brejo.
Ser plena avidez de saparia.

Rompendo minhas veias,
Lacerando meu brio,
Violentou-me.
Trepanou-me.
Estuprou-me.

E eu apenas queria um beijo de príncipe.

2 de junho de 2009

Tenho fome de nada.




20:20
Meu corpo é grande.
Minha ânsia é larga.
Minhas palavras estão gastas.
Meu grito é absorto em mundos de água.
Sou estrela de nebulosa.
Não goste, só porque não compreende!
Então,
Me escute.
Me perceba.
20:21
Preciso me encontrar, andando por ai.